Mirim Brasil fortalece atuação internacional

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Reunião com novos membros apresentou propostas para o futuro do Mirim

No sábado, 8 de outubro, membros do Movimento Infantojuvenil de Reivindicação (Mirim Brasil) se reuniram para dialogar sobre estratégias de ação internacional da ONG, considerando os valores e os pilares de uma atuação de mais de 26 anos, e o que motiva jovens a fazer parte da organização, como Ana Sisnando e Caetano Gomes, estudantes de Direito e cheios de energia para a luta.

A primeira parte da reunião foi dedicada à apresentação das últimas ações internacionais. Camila Borges e Thales Silva de Oliveira falaram sobre a experiência na “17ª Universidade Sobre Juventude e Desenvolvimento”, evento que aconteceu em Mollina, na Espanha. “Foi interessante perceber que eu não era só Camila, a pessoa, mas era Camila enquanto representante do Mirim. A gente estava lá para representação [da ONG]e para multiplicação”, comentou Camila.

Cleyton Machado, membro da Executiva Infantojuvenil, relembra o Acampamento IFM-SEI, que ocorreu nos dias 23 de julho a 5 de agosto de 2016, o primeiro evento de que participou representando o Mirim. “A primeira viagem que eu fiz na minha vida foi para a Alemanha, para passar 17 dias num evento com mais de 3 mil pessoas!”, comenta Cleyton. Aos novos membros, diz: “A primeira palavra que vem à cabeça é ‘adaptação’”.

Filipe Antonio, tesoureiro do Mirim Brasil, que também esteve presente no acampamento, falou sobre suas impressões: “É muita política, são muitos choques culturais. Pra mim foi muito importante porque conseguimos denunciar o momento histórico, fazendo ‘Fora, Temer’ lá na Alemanha”.

Essas são umas das grandes pautas do Mirim Brasil: a educação em direitos para exercício da cidadania e o fortalecimento do ativismo. “A gente tem que ocupar os espaços políticos”, avisa Anacleto Julião, presidente de honra e um dos fundadores do Mirim. Sylvia Siqueira Campos, presidenta da organização, complementa: “A gente não tem o modelo democrático perfeito em nenhum lugar do mundo. Porque, quanto mais radical é o processo democrático, mais perto estamos do socialismo. Então temos de fazer política por todos os lados para mudar o sistema.”

Sobre a atuação internacional do Mirim, Anacleto é categórico: “Para nós, o internacionalismo é o princípio mais importante”. Entretanto, ainda há alguns obstáculos. O principal é a língua, especialmente quando grande parte dos eventos de atuação internacional pede o conhecimento do inglês, já fazendo um recorte de classe e privilégios. Quem não sabe a língua não pode participar.  “Se você não sabe inglês, é voz passiva. Uma das grandes barreiras ainda é o inglês, e isso exige uma mudança. Geopolítica também se define pelo idioma”, argumenta Sylvia.

Em seguida, Sylvia apresentou o mapa de relações do Mirim em todos os continentes nos espaços formativos e políticos, como ABONG, FLACJ, IFM•SEI, ICMYO, ONU. De acordo com Filipe, o encontro as conexões do Mirim são extensas e simultâneas: “isso exige muita capacidade de articulação e responsabilidade ao longo desses 26 anos de história”.

O Mirim Brasil está reestruturando a coordenação internacional para lidar melhor com as demandas atuais. “Vivemos um momento histórico de crescimento da extrema direita e o fortalecimento do neoliberalismo no mundo inteiro. Nós, do Mirim, precisamos encontrar novas estratégias para denunciar, reivindicar e incidir em políticas públicas que garantam reconhecimento e acesso a direitos. E isso só vem com a radicalização da democracia em todos os lugares do mundo. Logo, precisamos de um grupo preparado para enfrentar os desafios”, explicita Sylvia. Os encontros da coordenação internacional ocorrerão uma vez por mês no escritório central do Movimento.

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