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20 de March de 2019

#Educação

Meninas do Recife escrevem cartas para Malala Yousafzai

No último fim de semana, cerca de 20 meninas, que participam do projeto social Pontinha do Futuro, no Alto Santa Isabel, zona norte do Recife, escreveram cartinhas para a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio Nobel da Paz.

Antes de escreverem as cartas, as meninas conheceram um pouco sobre a história de Malala e sua luta para que todas as meninas ao redor do mundo tenham acesso à educação gratuita e de qualidade. 

"Gostei muito de o MIRIM ter vindo conversar com a gente, escutar nossa opinião sobre as coisas. Me senti grata por ter tido a oportunidade de escrever uma cartinha para Malala. Sei que muitas crianças queriam ter essa oportunidade e eu consegui ter", conta Franciely Taynanda, de 15 anos.

Quem se encarregará de entregar as mensagens será a presidente do MIRIM, Sylvia Siqueira Campos, que está em Dubai, nos Emirados Árabes, para o encontro anual da Rede Gulmakai, iniciativa do Fundo Malala para fortalecer a defesa da educação de meninas em todo o mundo.

Em julho do ano passado, Sylvia foi escolhida para ser uma das três brasileiras participantes da Rede Gulmakai. Além disso, o Fundo Malala, organização internacional sem fins lucrativos fundada por Malala Yousafzai, anunciou apoio ao MIRIM em um projeto com foco na educação de meninas, principalmente negras, quilombolas e indígenas, em Pernambuco. 

Em Dubai, Sylvia também vai participar do Fórum Global sobre Educação, evento que reúne líderes mundiais dos setores público, privado e social em busca de soluções para alcançar educação, equidade e emprego para todos e todas. 



Pontinha de Futuro

O projeto Pontinha de Futuro dá aulas gratuitas de ballet a 87 meninas e adolescentes, com idades entre 3 e 16 anos, no Alto Santa Isabel. 

Para ingressar e se manter no projeto, as meninas precisam estar matriculadas em uma escola de Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Médio, frequentar regularmente as aulas na escola e ter boas notas. 

Cada aprendiz de bailarina tem uma "madrinha", que é responsável por providenciar o primeiro uniforme completo de ballet, se dispõe a ajudar com materiais que sejam eventualmente necessários, além de incentivar a menina a se empenhar tanto no ballet quanto na vida escolar.

A ideia do projeto é da bailarina e professora de dança Jay Figueirêdo, de 36 anos. "Fui bailarina com poucos recursos e vi no esforço feito pela minha avó, para pagar meu ballet até que eu atingisse um nível para ganhar uma bolsa de estudos, uma oportunidade de viver de dança, pela dança e para a dança. Minha avó me abriu uma porta, e minha bolsa de estudos foi o 'avião' no qual pude viajar pelo conhecimento e me tornar uma professora de ballet", conta.

   

Educação de meninas

Em todo o mundo, o acesso à educação de qualidade ainda é um privilégio. Pobreza, discriminação de gênero e guerras são algumas das barreiras que podem afastar meninas das escolas.  O MIRIM sabe disso e está empenhado na construção de bases sólidas para que todas as meninas de Pernambuco tenham uma boa educação. Uma referência global sobre o tema é a mais jovem Nobel da Paz, Malala Yousafzai.

Segundo Sylvia, a educação é um direito em qualquer parte do mundo. “Precisamos avançar no reconhecimento da igualdade para atuar na equidade no acesso e nas possibilidades de mudanças estruturantes, como a quebra dos ciclos de pobreza e a construção de uma cultura feminista. Tomar isso com coragem significa ir além do que o nosso cotidiano comum alcança e passamos a enxergar”, avalia.