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1 de April de 2019

#Direitos Humanos

MIRIM participa de ato em memória das vítimas da ditadura

A forte chuva não foi capaz de dispersar os militantes e as militantes que foram na manhã deste 1º de abril ao monumento Tortura Nunca Mais, na rua da Aurora, área central do Recife, para homenagear as vítimas da ditadura militar, que teve início no Brasil há 55 anos e durou mais de duas décadas. 

Como todos os anos, o MIRIM esteve presente no ato. Um dos fundadores do MIRIM e presidente de honra da organização, Anacleto Julião, participou da homenagem. Ele é filho de Francisco Julião e Alexina Crespo, dois grandes líderes das Ligas Camponesas e de movimentos que lutaram contra a ditadura no Brasil. Em homenagem a Francisco e Alexina, há fotos dos dois perto do monumento.

A família de Anacleto sofreu com a repressão da ditadura militar. Seu pai, Francisco Julião, foi preso e exilado, junto com Alexina e seus filhos, incluindo Anacleto. Ele ainda guarda na memória as lembranças da época e fala sobre a importância de rememorar as lutas, para que possam ter continuidade.


"No começo dos anos de 1960 no Brasil, estávamos lutando pela reforma agrária, coisa que outros países no mundo já tinham feito. A maior liderança no Brasil em relação ao assunto, naquele momento, era Francisco Julião e, junto a ele, sua companheira, Alexina Crespo.  'Na lei ou na marra', propunha Julião. Já Alexina, um pouco mais radical, sugeria uma 'revolução agrária'", lembra. 

Anacleto recorda que sua mãe foi pioneira na luta feminista após a Era Vargas e se tornou um símbolo da luta pela igualdade feminina relacionada com o tema da reforma agrária. "Viva esses dois heróis do passado, que nos orientaram para as lutas do presente e do futuro", exalta.   

Monumento Tortura Nunca Mais

O monumento Tortura Nunca Mais foi o primeiro do tipo construído no Brasil para homenagear aqueles e aquelas que lutaram contra o regime militar. No local, há uma estátua que representa uma pessoa pendurada, em alusão a uma das formas de tortura usadas durante a ditadura, conhecida como "pau de arara".

De acordo com relatório final da Comissão Nacional da Verdade, 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o regime militar no país. Também segundo o documento, estima-se que cerca de 20 mil pessoas tenham sido vítimas de tortura nesse período..

#DitaduraNuncaMais