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28 de March de 2019

#Associativismo

MIRIM é candidato em eleição para Conselho de Juventude de PE

O MIRIM Brasil é candidato na eleição que vai escolher os novos membros da sociedade civil que vão compor o Conselho Estadual de Políticas Públicas de Juventude (SEPCJ) em Pernambuco para o biênio 2019-2021. O pleito ocorrerá neste sábado (30), no Recife. O resultado da eleição será divulgado no mesmo dia.

É a primeira vez que o MIRIM tenta uma vaga da entidade no conselho. Serão eleitas 14 organizações, sendo dez de nível estadual e quatro de nível regional (Nordeste). 

O conselho foi criado pela lei estadual nº 13.607, em 2008, e é um órgão autônomo e deliberativo da política de juventude no Estado. Este ano, o conselho será presidido por uma entidade da sociedade civil. 

Mas por que o MIRIM Brasil se candidatou a uma vaga no conselho? Para o militante e tesoureiro da ONG, Filipe Antonio, a resposta se divide em duas partes: uma é o querer e a outra, o dever. Segundo ele, o MIRIM é aceito e respeitado pelas demais organizações do Estado por sua trajetória de quase 30 anos.

“Nos veem como mediador, sabe? Mesmo quem discorda de nossa opinião sabe do nosso trabalho há anos e das opiniões bem fundamentadas.  Em um espaço acirrado, buscamos dar uma resolutiva e sair um pouco desse ambiente briga por briga, que não leva a nada”, explica.

Sobre o dever, Filipe fala que o MIRIM se empenhou em reestabelecer o processo de conferências municipais, estaduais e até mesmo nacionais. “Das 185 cidades que temos em Pernambuco, no máximo, sendo otimista, temos 30 cidades com conselhos municipais. Estamos nem perto de chegar em 100%. Implementar a política pública nesses espaços é o primeiro passo que devemos ter. Um caminho para que a sociedade dialogue com as questões municipais”, diz.

Caso seja escolhido, o MIRIM será representado no conselho por Filipe e também pela militante Dandara Capibaribe, como suplente. Em sua opinião, integrar o conselho é de suma importância para que o foco esteja em uma juventude mais efetiva, que seja ouvida, pensada e investida.  

"Há um tipo de juventude que possui menos importância política para o Estado e para a sociedade. Ela tem cor de pele, endereço e classe social. São juventudes que residem no meio de uma grande marginalidade e precisam de políticas efetivas atuantes para que eles possam, enfim, sair desse tipo de zona de marginalização e possam ressignificar o que é ser cidadão, sabe?", afirma Dandara.

Prioridades

Uma das prioridades do MIRIM, caso seja eleito para integrar o conselho, será as casas de juventudes. Filipe explica que não são todas as localidades que necessitam do espaço, mas que, atualmente, em diversos lugares, os encontros são realizados em locais improvisados, como debaixo de uma árvore ou em quadras.

“Algumas pessoas moram muito distante, a qualidade do transporte público varia em cada região. Alguns deixam de participar dos encontros por não ter lugar onde ficar já que os horários do ônibus nem sempre são compatíveis com os da reunião.  Uma passagem cara pode inviabilizar a frequência dos participantes”, ressalta. 

Escutar para decidir

Se passar a compor o conselho, o MIRIM planeja dedicar o primeiro semestre deste ano a escutar o que as juventudes das diferentes regiões têm a dizer, antes de tomar qualquer decisão sobre políticas públicas. "Acredito que nenhuma política pode ser implementada se não for de baixo pra cima. Nenhuma canetada que a gente der de cima pra baixo resolve problema nenhum, sendo ou não da juventude", afirma o militante.

De acordo com Filipe, as demandas do campo e da cidade são distintas. No interior, as necessidades pioritárias são o acesso ao trabalho e a qualificações. As juventudes indígenas lutam pelo direito ao território e contra as constantes ameaças. Já na Região Metropolitana do Recife, o principal problema é a violência. 

“Um gráfico crescente que tem cor, idade e endereço. São os jovens, pretos, das periferias, que estão aumentando esse gráfico horroroso. Temos renda, acesso à cultura, mas a primeira coisa que a gente tem de cara é morte. Lutando pra viver, pra não ser encarcerado, enjaulado”, comenda Filipe.