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28 de May de 2019

#Direitos Humanos

MIRIM participa de audiência pública sobre anistia

A presidenta do MIRIM Brasil, Sylvia Siqueira Campos, participou de uma audiência pública sobre a Comissão de Anistia Federal. O encontro foi realizado na segunda-feira, 27, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). 

Sylvia faz parte do Comitê Memória e Justiça do Estado de Pernambuco. Ela compôs a mesa da audiência, junto com parlamentares e representantes de instituções e da sociedade civil.

"O Comitê (Memória e Justiça do Estado de Pernambuco) tem tido um trabalho incansável na dimensão da Justiça. Desde que foi criada a Comissão da Anistia, mais de 3 mil pedidos de desculpa foram dados pelo Estado a brasileiros e brasileiras em todo o país. Aqui na Alepe participei de diversos atos de entrega de diploma desses pedidos de desculpas, mas, mesmo assim, a gente sabe que a dimensão da Justiça está muito além disso", relembrou Sylvia.

Para ela, mais do que nunca, o Brasil precisa, atráves do que estão nas ruas, nos movimentos e nas casas legislativas, de um posicionamento de compromisso pela Justiça reparativa. De acordo com relatório final da Comissão Nacional da Verdade, 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante a ditadura militar no país. O mesmo documento estima que cerca de 20 mil pessoas tenham sido vítimas de tortura nesse período.

"Várias pessoas queridas, várias irmãs e irmãos de luta ainda continuam desaparecidos e desaparecidas. Então, essa é uma luta incansável. Se hoje temos no país um período de tanta injustiça, também se deve ao fato de que o período que vivemos, da última ditadura militar, não houve Justiça devida. Essa memória não foi devidamente registrada. Essa verdade não foi colocada. E a gente continua perpetuando ciclos de injustiças do país", ressaltou.  

 A ditadura militar teve início no Brasil há 55 anos e se prolongou por duas décadas. Sylvia fez ainda uma análise sobre o cerceamento de direitos e afirmou que é preciso entender o processo histórico do Brasil para que se possa ter muito mais aliados e aliadas. 

Memorial das Ligas Camponesas
Perto do fim da sessão, pela primeira vez, a ideia de construção de um memorial em homenagem a Francisco Julião foi colocada em audiência pública. O Memorial das Ligas Camponesas do Brasil Francisco Julião tem como intuito guardar a história, memória e aprendizado no Engenho Galileia, um engenho de fogo morto, localizado na cidade de Vitória de Santo Antão, a 50 quilômetros do Recife. Foi lá que houve a primeira desapropriação de terra no Brasil após a 2ª Guerra Mundial. 

Francisco Julião Arruda foi um dos grandes responsáveis pelo feito, junto às Ligas Camponesas. O primeiro local que foi expropriado para fins de reforma agrária, com lotes de terra dividos, teve este capítulo da história apagada com o início da ditadura militar.

A iniciativa do memorial permeia a cabeça de um dos filhos de Francisco há pelo menos 28 anos. "A ideia de fazer o memorial surgiu depois da anistia política, por muita gente que foi isolada. Não é apenas uma homenagem a Francisco Julião, mas é sobre toda história de luta do povo da Galileia", revelou Anacleto Julião.

"O MIRIM Brasil foi fundado por Anacleto Julião, filho de Francisco Julião, o precurssor da reforma agrária no Brasil, país onde ainda hoje é um tabu falar em reforma agrária. O espaço que existe hoje na Galileia existe por causa da nossa ação direta de subir paredes, em fazer uma espécie de biblioteca e pagar com nosso próprio bolso algumas visitas de escolas ou até mesmo de pessoas que veem de fora do Brasil para conhecer aquele espaço", ressaltou Sylvia.