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9 de May de 2019

#Educação

Estas meninas valorizam a educação, mas não são valorizadas pela escola pública

O acesso a uma educação pública de qualidade, que é um direito de todas as pessoas, é algo distante para meninas do Vasco da Gama, na zona norte do Recife. Estudantes de duas escolas localizadas na região denunciam a falta de estrutura e expressam o desejo de ter um ensino mais qualificado. Conversamos com Hevelym Yasmin, de 13 anos, Camilly Victoria, de 14, e Francielly Thaynanda, de 15, que falaram sobre as condições da educação que recebem.

"Na escola em que estudo vejo muitos meninos fazendo bullying. Para mim, a escola ideal deve ter pelo menos uma quadra. Praticamos educação física no sol em um local improvisado pelo colégio", se queixa Camilly. 

Para ela, a falta de estrutura da escola influencia negativamente em seu desempenho. "Leio, leio e leio, mas não entendo. Meu maior medo é não conseguir terminar meus estudos. Nunca repeti de ano, mas agora estou indo para o Ensino Médio, sinto que é mais difícil", conta a adolescente que está no 9º ano.

Hevelym Yasmin é aluna na mesma escola que Camilly e está no 8º ano. As duas são vizinhas e fazem o mesmo percurso a pé até a escola, do Vasco da Gama até o Morro da Conceição, um bairro vizinho. Ela relata outros problemas, como a falta de um espaço reservado a quem quer ler. 

"O que sinto falta é de uma biblioteca. Sei que não é só a minha escola que não tem, mas penso que se um aluno precisa e é interessado em ler livros, deveria ter um espaço para que estudar na própria escola", sugere Hevelym.

Elas enfrentam todos os dias a difícil rotina de acordar cedo e caminhar 2,4 quilômetros para ir e voltar da escola. Esse fato aliado à falta de acesso a equipamentos de qualidade influenciam no desejo que compartilham: querer sair do Brasil e construir uma carreira no exterior.

O sonho de Franciely Thaynanda é, além de ser bailarina profissional, morar no Canadá. "Sei que, se estudar, terei um bom futuro. Por isso, busco me interessar e tirar notas boas. Gostaria que a minha escola fosse boa como as que possuem Ensino Técnico. Iria me preparar melhor", conta.

Educação como direito humano
É importante lembrar que a educação é um direito de todas as pessoas, reconhecido pelo Estado brasileiro e assegurado pela Constituição Federal, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Estatuto da Juventude. 

Para a presidenta do MIRIM Brasil, Sylvia Siqueira Campos, a educação é um instrumento de revolução. Para ela, é preciso investimento na educação de meninas para mudar o rumo das sociedades no mundo. 

"Nós somos responsáveis pela vida das crianças e adolescentes. A partir do momento que a Constituição diz que criança e adolescente são prioridades absolutas, nós deveríamos responder por tudo de ruim que acontece com essa população que não é o futuro, mas o presente do Brasil. Investir na educação de meninas é uma forma de combater o machismo, o patriarcado e o próprio capitalismo. Precisamos tirar a nossa mente da pobreza. Educar é essencial para libertação", defende.