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22 de January de 2019

#Educação

Mirim acredita nas cotas raciais como estratégia de reparação histórica

Nesta terça-feira, 22 de janeiro, começaram as inscrições para o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que está oferecendo nesta edição 235.461 vagas em 129 instituições de nível superior no Brasil. Aproveitamos o momento para reforçar que o Mirim Brasil acredita na necessidade das cotas raciais como uma estratégia de reparação histórica junto a uma população que foi empobrecida, submetida a diversas opressões e, ainda hoje, sente como o racismo se perpetua nas sutilezas de um sistema de desigualdades.

Segundo informações do Relatório Luz da Agenda 2030, 44% dos/as adolescentes negros/as do Brasil, entre 15 e 17 anos, não estão matriculados/as no Ensino Médio. Os dados foram divulgados pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, que informou, em um relatório, uma linha histórica dos últimos 14 anos sobre a proporção de adolescentes nessa faixa etária matriculados no Ensino Médio, indicando um aumento de 21,5% na média geral, com 71% de pessoas brancas dessa idade matriculadas no Ensino Médio, mas apenas 56,8% de negras.

O mesmo se repete no Ensino Superior. De acordo com dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação passou de 2,2% em 2000, para 9,3% em 2017. Apesar da chance da população negra ter um diploma ter aumentado em quatro vezes nas últimas décadas, os negros ainda não alcançaram os índices dos brancos. Atualmente, a proporção da população branca com diploma de nível superior é de 22%, mais que o dobro em relação aos negros.

O membro do Conselho Diretor do Mirim e conselheiro de juventude do Recife, Filipe Antônio, acredita que o sistema de cotas trouxe uma outra impressão social, diferente da que foi estigmatizada durante séculos. 

"A política de cotas é importante principalmente porque causa uma outra impressão social, sabe? É como se o negro agora se visse como professor, engenheiro, dentista ou qualquer outra profissão 'venerada'. Até pouco tempo atrás, sabemos que a representatividade que o negro via era no sistema carcérario". 

Mesmo sem ter sido beneficiado por cotas, Filipe conhece pelo menos três pessoas próximas a ele que tiveram o direito à educação assegurado. Ele ressaltou as condições históricas enfrentadas pelos negros. 

"As cotas vieram também para dar essa correção étnica e social que a escravidão trouxe para o Brasil e que deixou os negros nas periferias, sem direito à educação, fazendo com que a gente ocupasse apenas espaços secundários na sociedade. As cotas deram essa percepção social de que o negro também pode ser representado e ter destaque em espaços que antes não tinham", afirmou. 

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil